sábado, novembro 26, 2005

sinto ódio...

sinto ódio...
tudo em mim está morto ou moribundo.
esperar para ver a beleza do fogo fátuo dos meus sentimentos em putrefacção parece-me, neste momento, tão impossivel quanto o é desejável.
sinto que já não tenho sangue para vomitar, nem entranhas para espalhar no chão se, agora mesmo me acertarem ferozmente no ventre.
o bafo quente da vida já se evaporou de mim, mas o ar frio e pesado da morte não o substituiu e dentro deste pedaço de carne seca, o vácuo faz uma pressão tão grande sobre as vísceras que as faz guinchar de dor.
mas o meu ódio não vem daí...
é esta pena de mim mesmo que me come por dentro.
é esse o parasita que me faz escarrar estas palavras com fios de sangue preto.
é esse parasita que me faz odiar tudo o que sou e o que sai de mim.

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