sexta-feira, dezembro 21, 2007

Carne fria

A decadência destes corpos que se esfregam chega a mim como saliva agri-doce que nasce debaixo da língua e me inunda a boca.
As vísceras que pendem sobre o abdómen mole de um, são esmagadas contra as costas azuis do outro. O sexo careca e enrugado roça-se nas nádegas vazias como uma carícia de morto. A atmosfera está quente e húmida. Cheira a suor e esperma quente.
Mas aqueles dois não estão aqui. São apenas carne fria que apodrece e se arrasta lentamente.

Estou só, no crepúsculo do meu quarto desmobilado ou no cume de uma montanha insuflável e observo o meu passado que ecoa para mim.

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