terça-feira, janeiro 16, 2007

Março 2005

A testa ferve. Gotas de suor formam-se quentes e escorrem pela pele viscosa.
Encosto o cano gelado da arma na fonte.
Sinto o pressão do gatilho no meu dedo e vacilo.
Olho em frente para a eternidade do futuro e não vejo nada. Sorrio de desprezo de mim próprio enquanto confesso interiormente:«Precisavas mesmo arranjar um motivo, não é? Não o farias enquanto não conseguisses arranjar um qualquer. Foste aproveitar a solidão para ires buscar a falta de futuro ou objectivos e teres o tão desejado motivo... és tão ridículo...».


Um choque gelado atravessa a pele, o crânio, o cérebro, o crânio, a pele, o ar e enterra-se na parede. Para trás deixa um cheiro a pólvora e pele queimadas, um buraco no crânio, pedaços de cérebro e sangue espalhados no chão e na parede e um corpo que cai infinitamente na morte de um homem vazio.

1 comentário:

Pinipom disse...

Não sabia que escrevias e que eu podia ler... Sempre quis saber o que ia dentro do teu caderno preto...